Amazonas – Mais de 270 mil filhotes de tracajás são devolvidos à natureza em Carauari

A soltura dos tracajás contou com a participação de 700 ribeirinhos, moradores de 45 comunidades situadas ao longo do rio Juruá.

O monitoramento de quelônios realizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari e na Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá – situadas no município de Carauari, a 788 quilômetros de Manaus – resultou na soltura de 274 mil filhotes de volta à natureza, neste domingo (14/11). A ação, promovida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), visa garantir o aumento da população de tracajás na região.

A soltura contou com a participação de 700 ribeirinhos, moradores de 45 comunidades situadas ao longo do rio Juruá. Na localidade, comunitários realizam o monitoramento dos tabuleiros de tracajás há mais de 30 anos, segundo frisa o assessor técnico da Sema e gestor da RDS Uacari, Gilberto Olavo.

“Nos anos 1980 eram apenas três tabuleiros monitorados por seis monitores, e a soltura chegava a 3 mil filhotes. Eles foram percebendo que, quanto mais expadiam a atividade de conservação, maior era o número de tracajás que voltavam vivos para a natureza. Isso muda toda a cadeia de espécies agregadas, aumenta o número de peixes, aves, jacarés e outros animais. É benefício para a natureza e para eles”, informou.

Nos anos 2000, os comunitários viram os números subirem ainda mais. De três, a quantidade de tabuleiros passou para nove, com 27 monitores dividindo-se no monitoramento das praias, a fim de coibir a caça ilegal e predadória dos ovos, sobretudo, de pessoas de fora das Unidades de Conservação (UC). Como resultado, a soltura passou para a casa dos 100 mil filhotes.

Hoje, em 2021, são 18 tabuleiros monitorados, entre áreas de praia, campinas e barrancos. O trabalho começa entre os meses de julho e setembro, quando as fêmeas começam a desovar às margens do rio Juruá. Todo esse período é acompanhado por 45 monitores, que realizam a contagem das covas e dos ovos a cada ano, além da vigia dos tabuleiros.

Ao todo, 3.974 matrizes desovaram, resultando na soltura de 233 mil filhotes de tartaruga e 41 mil tracajás, aproximadamente.

Manejo sustentável – A soltura dos animais no Juruá é a última fase do processo. Dia histórico para Francisco Mendes da Silva, conhecido como “Bomba”. Morador da comunidade Manarian, foi pioneiro na atividade de monitoramento de tracajás, trabalho que realiza há 28 anos.

Graças à atividade de conservação e o aumento das espécies na natureza, “Bomba” hoje lidera a criação experimental de quelônios, licenciada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Para ele, essa é a chance de desenvolver uma nova cadeia produtiva sustentável na região e desenvolver as comunidades a partir da geração de renda proveniente do manejo.

“Isso tudo é muito importante porque a gente está conseguindo fazer uma criação de quelônios, para futuramente fazer o manejo. Hoje a gente está com essa criação experimental que, graças a Deus, vai dar tudo certo, e a gente espera que todos os monitores cheguem onde a gente chegou: monitorando com muita atenção e, agora, tendo essa oportunidade de ser pioneiro também na criação e manejo”, pontuou.

A criação de tracajás ocorre em três comunidades na RDS Uacari, Xibauazinho, Vila Ramalho e Manarian; e em outras duas na Resex Médio Juruá, as comunidades São Raimundo e Nova União. A atividade recebe assistência técnica do Projeto Pé de Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Toda a ação é coordenada pelos órgãos gestores das Unidades de Conservação, sendo a RDS gerenciada pela Sema Amazonas e a Resex de gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A atividade também recebe o apoio da Prefeitura Municipal de Carauari, do Instituto Juruá, Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo (Amecsara), Associação dos Moradores da RDS Uacari (Amaru), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), SITAWI Finanças do Bem e Natura.

Por Portal da Navegação, via Sema.

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