Aliança Navegação contrata primeira mulher taifeira marítima.

Renata Medeiros se torna símbolo da ampliação da diversidade no transporte marítimo.

Daniel Brandão.

Nas últimas décadas, o mercado de trabalho tem passado por transformações que refletem uma sociedade mais diversa e atenta à inclusão. Funções historicamente ocupadas por homens, especialmente em setores marcados por tradição e resistência cultural, começam a receber um número crescente de mulheres, ampliando a representatividade feminina em espaços antes restritos.

É nesse contexto que a manauara Renata Medeiros, de 41 anos, alcança um marco relevante. Ela se tornou a primeira mulher contratada como taifeira marítima pela Aliança Navegações e Logística, abrindo caminho para novas histórias de protagonismo feminino na navegação amazonense.

“Sinto muito orgulho de ser a primeira mulher taifeira marítima na Aliança, principalmente dentre todas as pessoas disponíveis no mercado. Mais orgulhosa ainda por estar fazendo tarefas que normalmente são feitas por homens. Entendo que essas funções, qualquer mulher pode fazer, basta ela ser dedicada”, declarou Medeiros.

Formada pelo projeto Alma, iniciativa desenvolvida em parceria entre a empresa e a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), Renata se tornou um exemplo de persistência e transformação. A formação foi determinante para a consolidação de sua atuação profissional.

“Esse projeto foi feito para ampliar a diversidade de profissionais a bordo. Durante ele, passei pela formação embarcada no navio, aprendendo tudo na prática, e isso foi muito importante, porque ele consiste no desenvolvimento de novas tripulantes. Sem ele, eu não conseguiria realizar nada sozinha na minha função a bordo”, contou.

Novos talentos e quebra de barreiras

Voltado à formação e inserção de mulheres em funções embarcadas, o Projeto Alma contribui para reduzir barreiras históricas de acesso ao mercado de trabalho e para a qualificação de novos talentos no transporte marítimo de contêineres.“A trajetória da Renata traduz o propósito do Projeto Alma: criar portas reais de entrada, desenvolver talentos femininos e ampliar a diversidade em um setor que historicamente teve pouca participação de mulheres. Sabemos que operamos em um ambiente tradicionalmente masculino, por isso apoiamos iniciativas que visem ampliar a diversidade no setor e seguimos dedicados a ampliar oportunidades reais para mulheres que desejam construir carreira no mar”, afirmou a presidente da Aliança Navegação e Logística, Luiza Bublitz.

Oportunidade

oferece formação gratuita, estágio remunerado, mentoria técnica e possibilidade de contratação ao fim do processo.

Renúncias e mudança de vida

do sonho exigiu de Renata Medeiros decisões difíceis, que impactaram diretamente sua rotina e sua vida pessoal. Para se dedicar à formação e buscar espaço em um setor majoritariamente masculino, ela precisou deixar a casa da família e se estabelecer em outro local, mais próximo do curso.“Eu tive que sair de casa, porque onde eu morava a logística era na contramão do local onde eu participava do curso. Eu tive que morar em outra casa, mais próxima da escola. Mas, apesar de estar longe de casa e da minha família, eu consegui estudar e focar no meu objetivo”, revelou.

A decisão, marcada por renúncias, representa uma realidade enfrentada por muitas mulheres que precisam reorganizar a vida pessoal para ocupar novos espaços no mercado de trabalho.

“Eu morava em um sítio com minha família, localizado a três quilômetros do ponto de ônibus mais próximo, e não tínhamos acesso a transporte. Quando decidi estudar, minha família passou a me ajudar e me apoiar, dando suporte emocional e financeiro para que meu sonho fosse conquistado”, destacou.

Exemplo para outras mulheres

de Renata Medeiros vai além da conquista profissional e se transforma em símbolo de resistência e determinação. A coragem de enfrentar ambientes historicamente masculinos e a persistência diante das dificuldades fazem dela uma referência para outras mulheres.

“Eu quero inspirar outras mulheres a lutarem por seus sonhos e a crescerem, independentemente do caminho que sigam. Insisto para que elas não desistam dos seus objetivos, que estudem e corram atrás dos seus sonhos. As oportunidades são muitas, basta a gente correr atrás e conquistar o objetivo”, afirmou.

Mais do que ocupar um cargo inédito, Renata reforça que dedicação e preparo podem abrir caminhos antes considerados inalcançáveis.

“Meus próximos passos serão continuar me especializando na área. Desejo continuar estudando e me aperfeiçoando, expandindo o leque de opções na minha área profissional. Se vou continuar embarcada, se atuarei na área de máquinas ou náutica. A certeza que eu tenho é que irei me graduar, fazer faculdade e estudar línguas”, concluiu.

Por Portal da Navegação, via cidades@acritica.com