Escrito por Roberta Souza
Segundo publicação do SINAVAL em 16 de setembro de 2026, com informações do Portal Marcos Santos, o Governo do Amazonas está construindo 50 terminais flutuantes para comunidades rurais e ribeirinhas do interior. O projeto recebe investimento de R$ 54,81 milhões e deve gerar 762 empregos diretos e indiretos. As estruturas estão sendo fabricadas no Estaleiro Juruá, em Iranduba, e terão 168 metros quadrados cada. Além disso, os terminais contarão com energia solar e atenderão passageiros, cargas e transporte escolar fluvial.
Terminais flutuantes terão 168 metros quadrados cada
O projeto prevê estruturas com 14 metros de comprimento por 12 metros de largura. Cada terminal terá área total de 168 metros quadrados, enquanto o espaço destinado especificamente a passageiros e cargas ocupará 125,45 metros quadrados.

Além disso, cada unidade poderá suportar até 40 toneladas. A estimativa do governo estadual indica circulação de até 500 pessoas por dia em cada terminal.
Com isso, as estruturas deverão funcionar como pontos de apoio para comunidades que dependem do transporte fluvial para acessar outras localidades. O projeto também busca melhorar as condições de embarque e desembarque em regiões onde os rios fazem parte da rotina de deslocamento.
A construção ocorre no Estaleiro Juruá, em Iranduba, município localizado na Região Metropolitana de Manaus. O prazo previsto para a execução é de 180 dias.
Projeto de R$ 54,8 milhões também movimenta a indústria naval
O investimento total chega a R$ 54.810.363,93. Dividido pelas 50 unidades, o valor corresponde a aproximadamente R$ 1,096 milhão por terminal.
Além da infraestrutura destinada às comunidades, o projeto movimenta a cadeia de construção naval do Amazonas. Segundo o Governo do Estado, a fabricação deverá gerar 762 empregos diretos e indiretos.
Esse movimento acontece em um estado que possui uma cadeia naval relevante para o transporte regional. Dados do Invest Amazonas apontam mais de 300 estaleiros espalhados pelo estado, em sua maioria de pequeno porte. O modal hidroviário também exerce papel central no deslocamento de pessoas e cargas.
Enquanto isso, outros estaleiros ampliam suas capacidades em diferentes mercados. A Mitsubishi Heavy planeja investir US$ 640 milhões na ampliação de um estaleiro no Japão, com objetivo de aumentar em 25% a capacidade de construção de embarcações comerciais até 2028.
Energia solar fará parte dos novos terminais
Um dos elementos tecnológicos previstos no projeto é a instalação de sistemas de energia solar. As estruturas também terão iluminação em LED.
Dessa forma, os terminais poderão contar com geração própria de energia para parte de suas necessidades operacionais. A solução combina geração renovável com uma infraestrutura localizada em comunidades onde a logística de acesso pode dificultar a implantação de sistemas convencionais.
Além da energia solar, cada terminal terá piso antiderrapante, estrutura metálica, boias, defensas e equipamentos de amarração.
O projeto prevê ainda seis pontos de atracação, rampa com guarda-corpo, duas boias salva-vidas, três extintores, 36 defensas de pneus, sinalização náutica, quatro bancos e coletores de resíduos.
Estruturas também atenderão transporte escolar fluvial
Os terminais não terão apenas função logística para cargas e passageiros. O projeto também prevê apoio ao transporte escolar fluvial.
As estruturas oferecerão áreas cobertas para crianças e adolescentes que aguardam as embarcações utilizadas no deslocamento até as escolas. Assim, o terminal funcionará como um ponto protegido de espera e embarque.
Além disso, a infraestrutura deverá facilitar o transporte de produtos e mercadorias produzidos ou consumidos pelas comunidades atendidas. Com isso, os terminais podem contribuir para organizar a movimentação de cargas nas áreas ribeirinhas.
Essa função ganha importância em um estado onde o transporte aquaviário conecta comunidades distantes. Dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos mostram que as instalações portuárias públicas de pequeno porte do Amazonas registraram cerca de 2,85 milhões de movimentações de passageiros entre janeiro e julho de 2026, em 41 municípios.
Terminais poderão receber até 500 pessoas por dia
A capacidade estimada de atendimento também chama atenção. Segundo os dados divulgados sobre o projeto, cada unidade poderá receber aproximadamente 500 pessoas por dia.
Se todas as 50 estruturas alcançarem esse volume, a capacidade teórica chegaria a 25 mil movimentações diárias. No entanto, esse cálculo representa apenas uma multiplicação da capacidade estimada por unidade e não significa que todos os terminais terão esse fluxo simultaneamente.
Por outro lado, a capacidade de 40 toneladas por estrutura amplia a função dos terminais para além do transporte de passageiros. As unidades também poderão apoiar a movimentação de mercadorias e produtos.
Construção naval brasileira ganha novos projetos em diferentes segmentos
O projeto do Amazonas surge em um momento de movimentação da indústria naval brasileira. Em diferentes regiões, estaleiros e empresas buscam ampliar a produção, atender novas encomendas e participar de cadeias ligadas ao transporte marítimo e fluvial.
Em setembro, por exemplo, armadores encomendaram 52 navios com combustíveis alternativos em agosto, segundo levantamento da DNV. O volume incluiu projetos movidos a GNL, etanol e hidrogênio.
Ao mesmo tempo, a construção de estruturas menores também movimenta estaleiros e fornecedores. Terminais flutuantes, rebocadores, balsas e embarcações de apoio atendem necessidades diferentes, mas dependem de uma cadeia industrial capaz de fabricar e reparar equipamentos.
O próprio CPG acompanha esse movimento. A expansão de estaleiros e o aumento da capacidade de construção naval mostram como a demanda por novas embarcações e estruturas marítimas continua movimentando o setor.
Projeto conecta transporte, energia e desenvolvimento regional
Os 50 terminais flutuantes combinam diferentes funções em uma mesma infraestrutura. Além de organizar o embarque e desembarque, as unidades terão capacidade para cargas, apoio ao transporte escolar e geração de energia solar.
Por isso, o projeto ultrapassa a construção de simples pontos de atracação. As estruturas poderão melhorar a conexão entre comunidades ribeirinhas e os municípios atendidos pelo transporte fluvial.
O investimento de R$ 54,81 milhões também movimenta a indústria naval local e prevê 762 empregos diretos e indiretos durante a execução. Dessa forma, a iniciativa reúne infraestrutura, construção naval, energia renovável e logística em um único projeto.
Por Portal da Navegação, via CPG.
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