Lago Verde, formado pelas águas do rio Tapajós que abraçam a Vila de Alter do Chão, é uma joia que brilha com a beleza de suas 14 nascentes.

NAVEGAÇÃO EM FOCO – Mais uma vez o Brasil sai perdendo.

A recente nota pública sobre a dragagem no rio Tapajós, divulgada pelo Governo Federal, afirma que as obras são de caráter rotineiro e que a intenção seria apenas garantir o tráfego fluvial da hidrovia, assegurando o compromisso com a consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas antes de quaisquer empreendimentos maiores ligados à hidrovia. No entanto, essa posição oficial deixa de considerar, de forma equilibrada, os impactos socioeconômicos amplos e os benefícios coletivos que a dragagem pode proporcionar. Ao suspender o pregão de contratação e instituir um grupo de trabalho específico após pressões, o governo acaba cedendo a demandas pontuais, favorecendo interesses de minorias organizadas que, embora legítimos em sua realidade local, não representam a totalidade dos interesses nacionais.

Na prática, a decisão atende muito mais a grupos específicos do que à sociedade brasileira como um todo. As manifestações contrárias à dragagem, lideradas por povos indígenas e comunidades tradicionais, apontam riscos ambientais e culturais e exigem a paralisação completa do projeto. Contudo, essa mobilização não pode ser o único fator determinante para travar uma obra de infraestrutura estratégica. A dragagem do Tapajós está diretamente ligada à melhoria da logística fluvial, à segurança da navegação e à integração de uma das regiões mais importantes do país, beneficiando produtores, trabalhadores, empresas e consumidores que dependem do escoamento eficiente da produção nacional.

O Brasil só perde com uma decisão que posterga ou enfraquece projetos estruturantes em nome de interesses segmentados. A ausência de investimentos em infraestrutura fluvial amplia gargalos logísticos, encarece o transporte, reduz a competitividade do país no mercado internacional e limita o desenvolvimento regional. Ao priorizar uma visão restrita, o país abdica de oportunidades de crescimento econômico, geração de empregos e fortalecimento da soberania logística. No final, o prejuízo é coletivo, enquanto os benefícios ficam concentrados em poucos, comprometendo o avanço de uma região que poderia ser protagonista no desenvolvimento nacional.

Tecnologia no açaí substitui peconheiro.

Estudos do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) indicam que 90% dos acidentes durante a colheita do açaí provêm de quedas das árvores, picadas de insetos e queimaduras nas pernas e no abdômen.
Os peconheiros, como são chamados os colhedores, podem sofrer fraturas, perfuração dos pulmões, torções e cortes durante a difícil tarefa de colher os cachos em alturas de até 20 metros.

A peconha, um laço feito com saco ou fibra de palmeira, é utilizada pelos trepadores para dar sustentação aos pés durante a escalada, realizada geralmente por adolescentes, que são mais ágeis e pesam menos.
Cerca de 200 mil pessoas estão envolvidas na base da cadeia produtiva do açaí no Pará, a maioria no Marajó, e, no período de safra, de julho a dezembro, muitas crianças e adolescentes deixam de estudar para ajudar a família na colheita do fruto.

O TRT tem diagnosticado riscos contínuos e invisibilidade social desses trabalhadores jovens, com subnotificação dos acidentes durante as atividades diárias.
No ano passado, a Federação da Agricultura do Pará anunciou a invenção do robô AçaiBot, desenvolvida por uma indústria local. O aparelho, leve e com controle remoto, realiza a escalada nos troncos de açaí e colhe os cachos com menor perda, maior celeridade e produtividade, substituindo o trabalho infantil e tornando a peconha coisa do passado.

Seu preço varia em torno de R$ 16 mil, mas pode ser utilizado em sistema de mutirão entre colônias de produtores, nas touceiras de açaí adultas que superam os 10 metros de altura.
Pesquisadores também estão desenvolvendo mudas de açaí que começam a produzir cachos mais cedo e atingem menor altura, facilitando a colheita e reduzindo a mão de obra infantil na árdua tarefa de levar o fruto à mesa dos consumidores em todo o mundo.

MARES E RIOS

PESCADO – O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) vai anunciar, na próxima semana, uma pesquisa sobre o aumento do preço dos pescados em razão da proximidade do período da Quaresma, quando a busca pelo produto paraense cresce, pressionando os preços.
Segundo o coordenador da entidade, Everson Costa, fatores como o período de defeso, o inverno amazônico, que dificulta a pesca, a falta de um entreposto para controle da comercialização e a demanda do mercado externo contribuem para a elevação dos preços.
As prefeituras da capital e de algumas cidades do interior devem anunciar um decreto municipal logo após o Carnaval, estabelecendo medidas para garantir o produto à população com qualidade, quantidade e preços mais acessíveis.

PETRÓLEO – A Agência Nacional do Petróleo autorizou a Petrobras a retomar a perfuração do poço na costa do Amapá, paralisada em razão de um vazamento de fluido ocorrido durante a perfuração, sem danos ao meio ambiente. A ANP não vê impedimentos para a continuidade das pesquisas, mas exigiu a substituição de alguns equipamentos técnicos e a troca de parte da equipe que atua na sonda.

POSSE No dia 6 de fevereiro, foi realizada a solenidade de passagem de comando do Núcleo do Batalhão de Comunicações e Guerra Eletrônica de Selva, Organização Militar subordinada ao Comando Militar do Norte. O evento contou com a presença do Comandante Militar do Norte, general Vendramin, além de comandantes de Organizações Militares e convidados.
Após três anos à frente do Núcleo, deixou o comando o coronel Xavier, primeiro comandante da unidade. Assumiu a função o tenente-coronel Nery, que terá como principal missão dar continuidade ao processo de transformação do Núcleo no 2º Batalhão de Comunicações e Guerra Eletrônica de Selva, fortalecendo as capacidades operacionais da Força na região amazônica.