A mobilização teve início na comunidade quilombola do Caldeirão e seguiu até o Porto da Foz do Rio Camará.
Brasil, Norte (Pará) – Moradores da Ilha do Marajó realizaram, no sábado (7), uma carreata em Salvaterra para marcar o fim do monopólio no transporte fluvial da região e, ao mesmo tempo, cobrar maior transparência e participação popular no processo de transição para a nova empresa que deverá operar o serviço. A mobilização teve início na comunidade quilombola do Caldeirão e seguiu até o Porto da Foz do Rio Camará.

O ato reuniu moradores, lideranças quilombolas, caminhoneiros e trabalhadores do setor, que destacaram a quebra do monopólio como uma conquista histórica, mas afirmaram que a mudança administrativa, por si só, não atende às reivindicações da população. Durante o percurso, os participantes defenderam a criação de uma comissão representativa do povo marajoara para dialogar diretamente com a nova operadora do transporte fluvial.

Entre os pontos levantados durante a manifestação, estiveram questionamentos sobre possíveis vínculos da futura empresa com a atual operadora que mantém atuação nos portos de Camará e Icoaraci. Esses locais são alvo frequente de reclamações por dificuldades de embarque, prejuízos a caminhoneiros e restrições impostas a ribeirinhos que utilizam diariamente o transporte fluvial.
Outro tema central da carreata foi o portão instalado pela empresa Henvil Transportes na rampa do Porto da Foz do Rio Camará. O equipamento, apontado como símbolo de abusos e de impedimento ao direito de ir e vir, voltou a ser alvo de críticas durante o protesto. Manifestantes romperam a corrente que mantinha o portão fechado, permitindo momentaneamente o acesso de ribeirinhos e pescadores.
De acordo com os manifestantes, um oficial da Polícia Militar que comandava a guarnição determinou que o portão fosse fechado novamente, o que gerou tensão entre os participantes. Apesar da ordem, a corrente que impedia o acesso foi retirada, mantendo o portão sem o bloqueio físico utilizado anteriormente.
Os manifestantes afirmaram que a mobilização do dia 7 de fevereiro de 2026 faz parte de uma série de atos em defesa de um transporte fluvial acessível, público e alinhado às necessidades da população do Marajó. Segundo os organizadores, a luta continuará enquanto não houver garantias de participação social efetiva e mudanças concretas na gestão dos portos e das travessias fluviais da região.

Por Portal da Navegação, via Portal Tucumã.
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