Estratégia inovadora da Natura no Amazonas promete derrubar de 10 para 3 dias a entrega para os consumidores, desafiando o alto custo estrutural da região.
Quem vive e consome na região Norte do Brasil sabe muito bem que a espera por uma encomenda online muitas vezes se assemelha à espera de um par romântico pelo fim da jornada de um protagonista de ficção científica em uma galáxia muito, muito distante. Historicamente, o custo do frete no país inteiro já é um desafio estrutural pesado, mas quando o destino final do carrinho de compras virtual são os estados do Amazonas e de Roraima, os valores e os prazos de entrega alcançam patamares quase astronômicos.
A dependência do transporte fluvial e aéreo eleva radicalmente as despesas operacionais. Segundo relatórios recorrentes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o déficit de conectividade rodoviária na Amazônia Legal encarece o transporte de mercadorias em até 40% se comparado aos custos praticados no Sudeste. Na prática, custa muito sangue, suor e lágrimas aos consumidores do extremo norte arcar com o preço final, e as encomendas não chegam com a agilidade de quem está voando pro Pará ou trafegando em grandes eixos metropolitanos.
Para alterar essa rota e aliviar o bolso — e a ansiedade — de quem compra, o mercado tem buscado soluções regionalizadas. Nesta quinta-feira (19), um novo passo foi dado com o anúncio da abertura de um complexo de distribuição na capital amazonense focado em alta tecnologia de armazenamento e roteirização. O objetivo da nova malha é ambicioso: reduzir o tempo de entrega de 10 para 3 dias, aumentando expressivamente a disponibilidade de produtos para clientes finais, consultoras de beleza, lojas físicas e plataformas de e-commerce, incluindo social commerce.
“O comportamento do consumidor mudou de forma significativa, e o tempo de entrega se tornou um fator decisivo na jornada de compra. Renovar nossa malha logística é fundamental para garantir um nível de serviço cada vez mais competitivo em uma região bastante importante para nós”, afirma Josie Romero, vice-presidente de Operações, Logística e Suprimentos da Natura.
A estrutura conta com algoritmos avançados de balanceamento e um sistema de gestão de armazém (WMS) de ponta, essenciais para otimizar o processo de separação de pedidos. A gestão dessa verdadeira engenharia, que funciona como uma engrenagem milimetricamente calculada, não é feita sozinha. “O Centro de Distribuição de Manaus representa o reforço do que estamos construindo: um patamar de excelência logística e o compromisso de mais agilidade, proximidade e qualidade para milhares de consultoras de beleza e clientes”, diz Ignasi Vegas, CEO da Cubbo Brasil, responsável pela administração técnica do espaço.
Além da eficiência econômica, a alteração de rota esbarra em uma urgência global. O envio de cargas que antes saíam de polos no Sul e Sudeste por vias rodoviárias e aéreas diretas cobrava um pedágio ambiental alto. Com o estoque centralizado no Amazonas, a operação evita a emissão de 2,6 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A mudança integra uma estratégia mais profunda e necessária no mercado atual: conciliar o crescimento econômico e omnicanal com o conceito de negócio regenerativo, estabelecendo a meta rigorosa de zerar emissões líquidas (NetZero) até o ano de 2050.
Serviço:
O novo espaço de distribuição em Manaus abrange uma área de 6 mil m² e gera mais de 300 empregos diretos, administrados por parceiros regionais. A operação é a segunda do tipo inaugurada recentemente no país e a nona da companhia cosmética em território nacional, garantindo abastecimento otimizado para o varejo físico e digital com foco imediato nos estados do Amazonas e de Roraima.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.
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