Primeira base integrada instalada pelo Estado no Marajó também contabiliza 116 prisões e reforço no combate ao crime organizado nos rios paraenses.
Os rios da Amazônia são corredores essenciais para o transporte de pessoas e mercadorias, mas também figuram entre as principais rotas utilizadas por organizações criminosas para o tráfico de drogas, armas e outros produtos ilegais. Para enfrentar esse cenário, o Governo do Pará ampliou nos últimos anos a presença das forças de segurança nas hidrovias estaduais por meio da implantação de bases fluviais integradas.
A primeira dessas unidades, a Base Integrada Fluvial Antônio Lemos, localizada no distrito de Antônio Lemos, em Breves, no arquipélago do Marajó, completa quatro anos de funcionamento nesta segunda-feira (22). Desde sua inauguração, a estrutura já apreendeu 4,8 toneladas de drogas, realizou 116 prisões e retirou de circulação toneladas de produtos ilegais, consolidando-se como um dos principais pontos de fiscalização da região.
RESULTADOS INCLUEM DROGAS, ARMAS E MADEIRA ILEGAL

Com investimento superior a R$ 5 milhões, a base é vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) e atua de forma integrada no monitoramento das embarcações que circulam pelos rios paraenses.
Ao longo dos quatro anos de operação, a unidade apreendeu 4,8 toneladas de entorpecentes, 37,8 toneladas de pescado impróprio para consumo, 52 armas, – sendo 41 de fogo -, cerca de quatro mil metros cúbicos de madeira, 1.461 ovos de tartaruga e 50 caixas de cigarros, entre outros materiais.
ATUAÇÃO INTEGRADA FORTALECE FISCALIZAÇÃO

Segundo o secretário de Segurança Pública, Ed-Lin Anselmo, a localização da base é estratégica por concentrar intenso fluxo de embarcações. As operações reúnem equipes das polícias Civil, Militar e Federal, Corpo de Bombeiros Militar, Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), além de servidores da Secretaria da Fazenda e da Receita Federal.
“Para nós, da segurança pública, que acompanhamos a evolução proporcionada pela Base Antônio Lemos ao povo paraense, é motivo de orgulho celebrar mais um ano de operação. Ao longo desse período, toneladas de drogas deixaram de circular em nosso Estado, diversos produtos ilegais foram retirados de circulação e criminosos foram presos. O governo do Pará está de parabéns”, afirmou.
REGIÃO REGISTRA QUEDA DA VIOLÊNCIA
Além do combate aos crimes nos rios, a presença permanente da base também tem impacto nos indicadores de violência da região. Dados da Secretaria de Segurança apontam redução de 77,8% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) entre os primeiros quadrimestres de 2018 e 2026.
Entre os 16 municípios atendidos pela unidade, 11 estão há mais de dois anos sem registrar casos desse tipo de crime. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, foram realizadas 316 fiscalizações em embarcações e mais de 9,8 mil pessoas foram abordadas durante as ações ostensivas.
TECNOLOGIA AMPLIA CAPACIDADE OPERACIONAL

A Base Antônio Lemos opera com 25 agentes de diferentes forças de segurança. As equipes utilizam sete embarcações, sendo quatro blindadas, equipadas com radares, câmeras termais e capacidade para navegar a velocidades superiores a 60 km/h. As estruturas também contam com rádios marítimos e digitais, sistemas de monitoramento por câmeras e canais diretos de comunicação com as comunidades, permitindo respostas mais rápidas às denúncias.
Segundo o diretor do Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), coronel Marcelo Albuquerque, a modernização da estrutura fortaleceu o enfrentamento ao crime organizado. “As organizações criminosas tentam inovar, mas as equipes estão preparadas para qualquer situação. O trabalho integrado das forças de segurança, aliado ao apoio dos cães farejadores e ao monitoramento permanente das embarcações, tem sido fundamental para ampliar os resultados e levar segurança nesses quatro anos”, destacou.
REDE DE BASES FLUVIAIS CONTINUA CRESCENDO

A Base Antônio Lemos foi a primeira de uma estratégia estadual de fortalecimento da segurança nas hidrovias. Em 2024, o governo entregou a Base Candiru, localizada no estreito de Óbidos, na região do Baixo Amazonas, com investimento de R$ 8,2 milhões. Já em março de 2026 entrou em operação a Base Baixo Tocantins, instalada nas proximidades de Abaetetuba, ao custo superior a R$ 11,7 milhões.
Juntas, as três unidades monitoram uma área superior a 260 mil quilômetros quadrados, reforçando a fiscalização das principais rotas fluviais do Pará e ampliando o combate ao tráfico de drogas, ao crime organizado e aos delitos ambientais.
Por Portal da Navegação, via Agência Pará.
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