Konta II deixou Luís Correia com 9 mil toneladas e realizará transbordo marítimo para navio com capacidade superior a 100 mil toneladas.
O navio graneleiro Konta II deixou o Porto Piauí, em Luís Correia, na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto, transportando 9 mil toneladas de minério de ferro extraído em Piripiri. A carga será transferida em alto-mar para o Marine Victory, embarcação que seguirá para a China com aproximadamente 110 mil toneladas do mineral.
A saída ocorreu por volta das 9h e marcou o início da primeira operação comercial de exportação realizada pelo Piauí a partir de infraestrutura portuária própria. Segundo a Companhia Porto Piauí, a partida aconteceu sem intercorrências e foi acompanhada pela Marinha do Brasil e pela praticagem responsável pelo litoral piauiense.
Transbordo será realizado a 22 quilômetros da costa
O Konta II transportará o minério até uma área de fundeio localizada a aproximadamente 22 quilômetros do litoral do Piauí.
Nesse ponto, a carga será transferida para uma estrutura flutuante que funciona como armazém e plataforma marítima. Depois, o minério seguirá para o Marine Victory, navio de classe oceânica operado pela Cosco Shipping e preparado para viagens internacionais de longa distância.
O sistema adotado é conhecido como transhipment, ou transbordo entre embarcações. A alternativa permite que navios menores realizem o transporte entre o terminal e embarcações maiores posicionadas em águas mais profundas.
Segundo a Companhia Porto Piauí, a técnica já é utilizada em países como Equador, Singapura e Guiné-Bissau, mas representa uma operação comercial permanente inédita no Brasil. A adoção do modelo teria antecipado o início das atividades do terminal em até três anos.
Konta II chegou ao porto no fim de junho
O Konta II possui 109 metros de comprimento, 26,8 metros de largura e capacidade para transportar aproximadamente 9 mil toneladas por viagem.
A embarcação chegou ao berço 401 do Terminal de Uso Privado em 29 de junho, realizando a primeira atracação de um navio de carga na história do Porto Piauí.
A operação de atracação, carregamento e saída envolveu cinco empresas especializadas em apoio marítimo, agenciamento, rebocadores, operação naval e arqueação, além da fiscalização da Marinha do Brasil.
A empresa chinesa Xiamen Xiangyu é a responsável pela comercialização internacional da carga.
Minério foi extraído em três minas de Piripiri
O minério embarcado é produzido pela Lion Mining, empresa fundada em 2022 que mantém três minas em funcionamento no município de Piripiri.
A produção anual é estimada em 1,5 milhão de toneladas, com teor de ferro que pode alcançar 65%, percentual valorizado pela indústria siderúrgica internacional. O processamento utiliza separação magnética realizada na estrutura da própria empresa.
Antes da abertura da nova rota, a produção era transportada em carretas até o Porto do Pecém, no Ceará. Com a operação em Luís Correia, o percurso terrestre fica abaixo de 150 quilômetros e mantém a cadeia logística dentro do território piauiense.
A Lion Mining assinou contrato de longo prazo para movimentar até 10 milhões de toneladas pelo Porto Piauí, segundo informações divulgadas pela companhia responsável pelo terminal.
Produção mineral cresceu mais de 4.000%
A produção de minério de ferro no Piauí avançou mais de 4.000% entre 2023 e 2024, conforme dados da Secretaria do Planejamento do estado apresentados na publicação sobre a operação.
O crescimento colocou o Piauí como o sexto maior exportador brasileiro do mineral. As reservas estimadas superam 1 bilhão de toneladas.
Em 2024, as exportações do produto movimentaram mais de US$ 35 milhões e geraram aproximadamente R$ 8 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral.
A abertura de uma rota própria pode ampliar a competitividade das empresas instaladas no estado ao reduzir a dependência dos terminais localizados no Ceará e no Maranhão.
Terminal prepara exportação de grãos
A movimentação de minério representa a primeira etapa da estratégia comercial do Porto Piauí.
A companhia responsável pelo terminal firmou acordo com a Czarnikow Brasil para viabilizar o embarque de milho e sorgo. As primeiras operações estão previstas para o último trimestre de 2026, enquanto contratos de maior prazo devem atender ao período entre 2027 e 2029.
Segundo dados apresentados pelo Porto Piauí, produtores de grãos do estado enfrentam custos logísticos até 30% maiores nas rotas utilizadas atualmente.
A criação de uma saída própria pelo litoral pode reduzir distâncias, ampliar alternativas de transporte e atrair estruturas de armazenagem e processamento para a região.
Fertilizantes e contêineres também estão previstos
Outra frente em preparação envolve a descarga de fertilizantes, com capacidade estimada em mais de 1.500 toneladas por dia.
O Terminal de Carga Geral e Conteinerizada receberá investimento de R$ 25 milhões e tem conclusão prevista para dezembro de 2026. O projeto será desenvolvido em parceria com a CNAGA Armazéns Alfandegados e terá foco inicial em operações de cabotagem.
O governo estadual também prevê ampliar a profundidade do canal de acesso para 11,5 metros, permitindo a entrada direta de embarcações maiores no futuro.
A primeira etapa do cais foi construída em 14 meses e recebeu investimento informado de R$ 200 milhões.
Operação amplia presença logística do Nordeste
A saída da primeira carga cria uma nova alternativa portuária no litoral nordestino e insere o Piauí diretamente nas rotas internacionais de minério de ferro.
O avanço do projeto dependerá da regularidade das operações, da ampliação do canal, da chegada de novas cargas e da capacidade do terminal de competir com portos já consolidados na região.
A movimentação de minério, grãos, fertilizantes e contêineres pode transformar Luís Correia em um novo ponto logístico para empresas do Piauí e de áreas produtoras próximas.
Por Portal da Navegação, via Assessoria.
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