Com presença no Amapá e Maranhão, a Rocha quer conectar o transporte de grãos e fertilizantes pelo Norte e quadruplicar de tamanho em dez anos.
Nascida no litoral do Paraná no tempo em que os navios carregavam madeira e erva-mate, a Rocha Terminais Portuários e Logística prepara a maior guinada de seus 162 anos de história. A empresa, que movimentou 14,5 milhões de toneladas de cargas em 2025, planeja aplicar mais de R$ 1 bilhão nos próximos anos para expandir sua atuação nacional. A estratégia combina o avanço em direção ao Porto de Santos, no Sudeste, com o fortalecimento das rotas de escoamento pelo Arco Norte brasileiro.
Conexão de rotas no Norte entre Miritituba e o Porto de Santana.
A aposta no topo do mapa brasileiro ganhou tração após a vitória no leilão do Porto de Santana, no Amapá, ocorrido em 2024. A intenção da diretoria é modernizar a estrutura e aumentar a capacidade de armazenagem para integrar o terminal às barcaças que navegam a partir de Miritituba, no Pará.
Essa hidrovia já escoa aproximadamente 20 milhões de toneladas de grãos do Centro-Oeste e recebe cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes no sentido inverso. A Rocha pretende usar sua experiência acumulada para operar as duas pontas desse transporte fluvial e marítimo.
Do Porto de Paranaguá para a liderança nacional em fertilizantes.
A escala da Rocha impressiona pelo volume movimentado. Em anos de mercado aquecido, o Brasil importa 45 milhões de toneladas de fertilizantes e quase 10 milhões passam pelos terminais do grupo.
Mesmo diante da retração estimada para o setor em 2026, quando as importações nacionais devem recuar para 40 milhões de toneladas, a empresa compensa o cenário com o aumento nos embarques de grãos e cargas industriais. A diversificação garante receita estável, projetada em R$ 880 milhões para o fechamento deste ano.
Gestão familiar e investimentos em novas tecnologias.
Gerida pela quarta geração da família fundadora em conjunto com fundos de investimento e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a companhia investiu mais de R$ 700 milhões nos últimos dois anos.
Entre as inovações estão o uso de esteiras suspensas que retiram o adubo do navio direto para os armazéns e a compra de equipamentos de descarga de R$ 30 milhões cada. A empresa prevê que a expansão de seus terminais permitirá dobrar a capacidade de atendimento nos próximos anos, enfrentando como principal desafio a formação de equipes qualificadas para atuar nos portos brasileiros.
Por Portal da Navegação, via Correio.
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