Seca na Amazônia desafia logística de projeto da Maersk para a WEG.

Operação multimodal de quase 600 toneladas até campo de gás no Amazonas expõe impactos da crise de navegabilidade sobre cargas industriais no Brasil.

A Maersk concluiu uma operação multimodal de alta complexidade para a WEG envolvendo o transporte de três transformadores de grande porte destinados ao projeto energético Azulão, em Silves (AM), em meio aos desafios impostos pela seca dos rios amazônicos.

A operação mobilizou aproximadamente 600 toneladas de carga entre equipamentos e componentes, conectando Minas Gerais ao interior do Amazonas por meio de transporte rodoviário, marítimo e fluvial. O projeto exigiu monitoramento permanente das condições de navegabilidade e planejamento logístico detalhado para evitar atrasos e garantir a integridade dos equipamentos.

A operação evidencia os efeitos que a seca na Amazônia vem provocando sobre a logística da região Norte. A queda no nível de rios estratégicos, como Madeira, Negro e Solimões, tem imposto restrições crescentes à navegação, afetando o transporte de combustíveis, grãos, contêineres e cargas de grande porte. O cenário reduz o calado disponível para embarcações e barcaças, aumenta o risco operacional e pressiona os custos logísticos em rotas que dependem fortemente do modal hidroviário.

Operação integrou rodovia, porto e hidrovia

Os transformadores saíram da planta da WEG em Betim (MG) em três caminhões especiais com destino ao porto de Itaguaí, em Sepetiba (RJ). Paralelamente, outros 21 caminhões transportaram 94 volumes adicionais de acessórios e componentes complementares da operação.

Após a consolidação da carga no terminal portuário, os equipamentos seguiram por via marítima até o porto de Outeiro, em Belém (PA). A etapa mais crítica começou a partir daí, com o transporte fluvial até Silves, no Amazonas.

Segundo a Maersk, equipes da divisão Maersk Project Logistics realizaram estudos de viabilidade e avaliações contínuas das condições dos rios antes da liberação da última etapa da operação. O monitoramento em tempo real do calado foi apontado como decisivo para garantir a navegação segura da barcaça.

O trecho fluvial exigiu atenção constante devido às variações na profundidade dos rios durante a temporada seca, condição que aumenta o risco operacional e pode comprometer cronogramas industriais e energéticos.

Após a chegada ao destino final, os transformadores foram transferidos para a área de instalação, onde as equipes técnicas da WEG iniciaram os preparativos para montagem dos equipamentos.

Logística de projetos ganha complexidade no Brasil

A operação reforça o avanço da chamada logística de projetos no Brasil, segmento especializado no transporte de cargas superdimensionadas destinadas a setores como energia, mineração, óleo e gás e infraestrutura.

Com a expansão de empreendimentos em regiões afastadas dos grandes centros urbanos e industriais, operadores logísticos vêm ampliando investimentos em engenharia logística, integração multimodal e gestão de risco para atender operações cada vez mais complexas.

Na região Norte, a dependência das hidrovias adiciona um fator crítico ao planejamento operacional. Em muitos casos, rios seguem sendo a única alternativa viável para o transporte de equipamentos de grande porte, especialmente em áreas com infraestrutura rodoviária limitada.

Projeto Azulão movimenta investimentos

Os transformadores transportados fazem parte do projeto energético Azulão, empreendimento voltado à produção de gás natural no Amazonas e considerado estratégico para o abastecimento energético do país.

O projeto prevê investimentos estimados em US$ 1,18 bilhão e capacidade de geração de 950 MW de energia elétrica. A iniciativa integra o movimento de expansão do uso do gás natural na matriz energética brasileira, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros consumidores.

Por Portal da Navegação, via Assessoria.