Obra de R$ 875 milhões promete modernizar o Porto da Manaus Moderna.

O objetivo da reunião foi aprofundar o diálogo sobre os impactos e as oportunidades geradas pela obra.

Lauris Rocha

Manaus (AM) – O movimento Converge Amazônia e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) se reuniram nesta quarta-feira, 11/3, para discutir o projeto de modernização do Porto da Manaus Moderna, em Manaus, no Amazonas. O local é considerado um dos principais pontos de transporte fluvial da região amazônica.

Participaram do encontro trabalhadores fluviais, estudantes, representantes da sociedade civil e técnicos do DNIT responsáveis pelo projeto. Durante a reunião, foi apresentada a versão atualizada da proposta de reestruturação do porto.

O coordenador de obras de infraestrutura portuária do DNIT, Lindomar Luiz de Abreu, informou que a obra será executada por um consórcio vencedor formado por empresas de Manaus, denominado Consórcio Santana que ainda aguarda autorização para início dos trabalhos.

De acordo com o departamento, o investimento estimado é de cerca de R$ 875 milhões. O cronograma prevê seis meses para elaboração dos projetos básicos e aproximadamente dois anos de obras após a emissão da ordem de serviço.

Entre as principais intervenções previstas estão a dragagem do igarapé, a revitalização de áreas poluídas do leito do rio, a reorganização das balsas existentes e a ampliação da capacidade de atracação de embarcações.

Matheus Amaral do Converge Amazônia – (Foto: Reprodução/Converge)

Com a modernização, o novo porto deverá ter capacidade para receber simultaneamente até 40 ferry boats, 14 embarcações regionais, 10 lanchas e 10 catraias, além da possibilidade de atracação de navios de cruzeiro. Durante o período das obras, parte das operações será transferida para o Porto de São Raimundo.

Problemas relatados pelos trabalhadores

Durante o encontro, o trabalhador fluvial Jefferson Lopez, representante da classe de expressos, destacou problemas enfrentados diariamente pelos operadores do transporte regional. Os trabalhadores relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia da atividade. Entre os principais problemas apontados estão:

  • falta de espaço para atracação das embarcações;
  • dificuldades de acesso para passageiros;
  • estruturas deterioradas no Roadway de Manaus;
  • cobrança de taxas que dificultam a atividade de pequenos operadores.

Comerciantes da região central também manifestaram preocupação com o projeto. Segundo eles, empresários e trabalhadores do comércio não foram convidados para uma audiência pública realizada em 2024 e defendem maior participação nas discussões, já que grande parte da atividade econômica do centro depende diretamente do movimento gerado pelo porto.

Questionamentos sociais e ambientais

Participaram pela articulação do Converge Amazônia Matheus Amaral, Jefferson Lopez (barqueiro e trabalhador fluvial), Stephany Lopes (trabalhadora fluvial de máquina) e Sabrino Santos, estudante de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Os trabalhadores relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia – (Foto: Reprodução/Converge)

O movimento Converge Amazônia levantou ainda uma série de questões sociais e econômicas relacionadas ao projeto, entre elas:

  • manutenção das atividades comerciais e fluviais durante as obras;
  • criação de estruturas provisórias para embarque, desembarque e funcionamento do comércio;
  • geração de empregos e priorização de trabalhadores locais;
  • oportunidades para o turismo e valorização da cultura amazônica;
  • definição do modelo futuro de gestão do porto.

Também foram levantadas preocupações ambientais.

“Também perguntamos sobre possíveis impactos ambientais na Praia da Ponta Branca, próxima à foz do Igarapé do Educandos”, destacou Matheus Amazônia, ativisata e representante do Converge Amazônia.

Próximos passos

Ao final da reunião, ficou encaminhada a realização de novos encontros ampliados com trabalhadores fluviais, comerciantes e representantes da sociedade civil. O objetivo é aprofundar o diálogo sobre os impactos e as oportunidades geradas pela obra.

Para os participantes, a modernização do porto pode representar um avanço importante para a logística e o transporte fluvial na Amazônia. No entanto, eles defendem que trabalhadores, comerciantes e a população local participem das decisões, garantindo que o projeto também gere benefícios sociais, econômicos e ambientais para a região.

Por Portal da Navegação, via Portal Rios de Notícias.