Passados 11 anos do naufrágio do navio Haidar, ocorrido no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, o desastre continua vivo na memória da população. Em outubro de 2015, a embarcação afundou durante a operação de embarque de cerca de cinco mil bois vivos destinados à exportação. Aproximadamente 4.900 animais morreram afogados e centenas de toneladas de óleo combustível foram lançadas nas águas do rio Pará, provocando um dos maiores desastres ambientais e sanitários da história do estado.
Os impactos foram sentidos por meses. Carcaças de animais chegaram às praias e comunidades ribeirinhas, causando forte odor, contaminação da água, prejuízos à pesca, ao turismo e à saúde dos moradores. O acidente mobilizou órgãos ambientais, Ministério Público, Marinha e Defesa Civil, que realizaram a retirada de parte das carcaças, barreiras de contenção do óleo, monitoramento da qualidade da água e ações emergenciais para reduzir os danos ambientais.
No campo judicial, diversas ações civis públicas e processos de responsabilização foram movidos contra empresas e envolvidos na operação do navio. Laudos técnicos apontaram graves danos ambientais e sociais, com estimativas de indenizações milionárias para reparar os prejuízos causados às comunidades afetadas. Entretanto, boa parte dessas disputas ainda se arrasta na Justiça, alimentando a sensação de impunidade entre os moradores da região.
Ao longo da última década, também foram implementadas medidas para reforçar a fiscalização das operações portuárias e dos procedimentos de embarque de cargas vivas, além da revisão de protocolos de segurança. Apesar desses avanços, especialistas e órgãos de controle continuam apontando que Barcarena permanece vulnerável a acidentes ambientais devido à intensa atividade industrial e portuária concentrada na região.
Onze anos depois, a principal cobrança da população continua sendo por reparação definitiva e prevenção. Embora ações emergenciais tenham amenizado parte dos impactos imediatos e a fiscalização tenha sido fortalecida, muitas famílias afirmam que os prejuízos econômicos, ambientais e sociais deixados pelo naufrágio do Haidar ainda não foram totalmente superados. O episódio permanece como um marco da necessidade de maior rigor na gestão ambiental e na segurança das operações portuárias na Amazônia.
Por Portal da Navegação.
Notícias relacionadas
-
Justiça determina que empresa de navegação de Santarém adote medidas para garantir segurança de passageiros após ação do MPPA.
-
Comissão do Senado aprova indenização para vítimas de escalpelamento em embarcações.
-
Monitoramento dos rios orienta a navegação e a manutenção das hidrovias brasileiras.
-
MPRO capacita membros e servidores para operação segura de embarcações em Rondônia.
-
NAVEGAÇÃO EM FOCO – Militares brasileiros treinam tropas no Suriname.

