Fiocruz oferece curso à Marinha sobre prevenção de IST/HIV/Aids na Amazônia

Durante três dias, militares do 9o Distrito Naval, que atuam em diferentes unidades fluviais de atendimento médico-hospitalar da Marinha do Brasil, participaram de um curso de formação de agentes multiplicadores em prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis, IST/HIV/Aids, oferecido pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). A iniciativa, ofertada no âmbito do projeto QualificaSUS, teve como finalidade promover um intercâmbio de informações entre profissionais de saúde da Marinha do Brasil, Fundação Alfredo da Matta e Fiocruz Amazônia.

A finalidade foi a de aprimorar o acesso e a atuação das equipes da Marinha do Brasil em relação aos protocolos utilizados atualmente para tratamento e diagnóstico de IST/HIV/Aids, prevenção combinada e fluxogramas de transmissão e manejo de casos clínicos. Com um total de 20 participantes, o curso teve 21 horas de carga-horária (18 a 20/05) e foi ministrado pela médica sanitarista Adele Benzaken, diretora do ILMD, o dermatologista José Gomes Sardinha, as enfermeiras Ana Claudia Camilo e Andrea Beber e os cientistas sociais Sully Sampaio, coordenador dos cursos de atualização do Projeto QualificaSUS, da Fiocruz Amazônia, e Rita Bacuri, vice-coordenadora do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS), do ILMD.

“É sempre muito gratificante observar a vontade das pessoas em aprimorar o acesso e a atuação na área da saúde e, no contexto da Marinha do Brasil, que faz um serviço de atendimento às comunidades rurais da Amazônia Legal, essa contribuição é de suma importância”, revela Sully Sampaio, avaliando como positiva a participação dos militares.

A diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken, destacou a necessidade constante de aprendizado para os profissionais de saúde. “A participação da Marinha no curso é excelente, pelo fato de que realizam um trabalho notável junto às populações de difícil acesso. Mais importante ainda é ver que eles saíram satisfeitos e aptos a repassar os conhecimentos assimilados”, avalia Benzaken.

O dermatologista José Sardinha observa que uma parcela considerável da população mundial sofre com os agravos das ISTs e proporcionar às pessoas um acesso facilitado ao diagnóstico, ao tratamento, à prevenção e às atividades necessárias para que se recuperem aqueles que adoeceram é fundamental. “Todos os profissionais de saúde devem estar preparados para isso. Onde houver um profissional de saúde, seja de que escalão ou especialidade for, ele deve testar preparado ou ter uma pessoa apta a atender um caso de doença sexualmente transmissível e nesse sentido a parceria com a Marinha é muito bem-vinda porque significa estender para áreas onde a maioria de nós não chegaríamos o acesso a serviços”, salientou.

As informações teóricas repassadas durante o curso foram intercaladas por dinâmicas de grupos e dramatizações, sob orientação dos instrutores, tais como a “teia da transmissão” e a “mandala da prevenção combinada”. “As atividades práticas, na forma de dinâmicas, são ferramentas que contribuem para desconstruir valores e mitos arraigados entre nós em relação às ISTs”, afirma a enfermeira Ana Cláudia Camilo, que conduziu as práticas. No caso dos enfermeiros, ela lembra que esse papel tem uma significância ainda maior. “O enfermeiro cuida do início ao final e é a pessoa responsável por abrir essa porta e dar acesso a essa situação de cuidado, diagnóstico, prevenção e tratamento. Em se tratando de ISTs, doenças ligadas não apenas à objetividade, sinal e sintomas, o enfermeiro atua diretamente no aspecto subjetivo, que envolve tabus e práticas, relacionadas à cadeia de transmissão”, avaliou.

O enfermeiro Roberto Rodrigues, primeiro sargento da Maranha, participou do curso com a expectativa de reciclar conhecimentos e poder multiplicá-los junto aos demais profissionais de saúde da corporação. “Estou no Amazonas há dois meses, recém-chegado a Manaus após uma missão que teve 30 dias de duração no interior da Amazônia e nossa expectativa em relação a essa oportunidade é conhecer um pouco mais da realidade epidemiológica das ISTs no Estado e estarmos preparados para repassar os conhecimentos”, disse. O curso, segundo Sully Sampaio, é suficiente para instrumentalizar os profissionais a lidar com a situação de forma correta, com todos os protocolos utilizados. “No caso da Marinha, o papel dos agentes multiplicadores é de extrema importância visto que as equipes de saúde nem sempre são as mesmas equipes durante as missões fluviais e a ideia é que se tenha um corpo de profissionais de saúde capaz de reproduzir as informações para o restante da corporação”, ressaltou.

O curso foi dividido em dois módulos. A segunda formação acontecerá entre os dias 24 e 26 de agosto, na sede do ILMD, com a participação de mais 20 militares, entre médicos, dentistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem da Marinha do Brasil. Na ementa do curso, destacam-se os seguintes temas: Importância das ISTs no contexto brasileiro e global, aspectos clínicos das ISTs, IST no contexto da prevenção combinada, uso de preservativos masculino e feminino e como atuar no seu local de trabalho frente a casos de IST e como dialogar sobre prevenção.

Com informações da comunicação do ILMD / Fiocruz Amazônia

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